Cláudio Loes

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2010

Efemérides

Efemérides, conforme o Dicionário Aurélio significa um "diário, livro ou agenda em que se registram fatos de cada dia". Aqui não serão fatos do dia, se bem que possam servir de estímulo muitas vezes, serão as reflexões,as ideias, os sentimentos. Um diálogo constante com o incerto, o desconhecido, o novo.

Você acredita em algum consumo sustentável?

Com tanta publicidade, prêmios e outros torna-se difícil ficar calado. Talvez deva usar o refrão de uma música cantada pelo Zé Ramalho, " to vendo tudo, to vendo tudo, mas fico calado e finjo que sou mudo..." e como ele seguir cantando os silêncios que muitos teimam em manter. Agora existe um prêmio "Prêmio Greenbest" o "Maior prêmio de consumo e iniciativas sustentáveis". O dicionário deve estar com problemas, porque qualquer consumo não é sustentável, no final tudo termina. Se olharmos em escala geológica, nem o sol é sustentável, um dia ele termina. Existe também a educação para a sustentabilidade. Essa funciona da seguinte maneira, a empresa faz campanha de educação para a sustentabilidade desde que aumente o consumo de seus produtos. Isto é, quem está a frente quer saber quanto vai retornar para o acionistas e valorizar as ações. Tem mais um e bem grave. Os programas de recuperação de dependentes químicos. Faz-se o programa num local aprazível, apoio de todos, e tudo está bem. Depois na volta para o dia a dia a maioria descobre que a vida está cada vez mais dura e difícil, que o consumo é o que importa, melhor ainda se for sustentável. Aí descobrem que não dá, que poucos tem muito e muitos não tem nada e voltam ao mesmo ponto. Tem um livro, "Capitalismo parasitário" que é bem interessante para entender tudo isso. Existem as empresas que fazem também trabalhos voltados para essa questão da sustentabilidade e no seu departamento de vendas exigem metas totalmente contrárias. Tem uma máxima de que "dinheiro atrai dinheiro", penso que não é bem assim, deveria ser o dinheiro vai em busca de oportunidades onde pelo consumo possa se reproduzir. Sem a mínima preocupação se existirá amanhã ou não. Por enquanto tem se mantido. Mas o nosso consumo exacerbado está começando a receber sinais de que não poderá mais ser assim. Resta saber quem são os que terão coragem para mudar o rumo da nossa existência, para podermos existir um pouco mais dentro do ciclo de vida da espécie humana.

Desde que você continue consumindo?

Esta é a mensagem da maioria dos programas de educação ambiental, conscientização, reciclagem ou outro. Repare que desde que você continue consumindo tudo é permitido. Já encontrei vários projetos de aquecedor solar jogados num canto por problemas. Claro, o material de que era feito, reciclado depois do consumo, não era para altas temperaturas. Os brinquedos feitos de material reciclado são campeões. Até eu mesmo uma vez embarquei nessa linha. Tinha construído um tabuleiro de sudoku para ser jogado com tampinhas coloridas. Quando apliquei a oficina faltaram algumas tampas para terminar um tabuleiro. Expliquei como poderia ser feito com outro material e como era hora do intervalo paramos. Na volta do intervalo o click, a maioria estava tomando refrigerante comprado ali perto. Perguntei porque resolveram comprar e disseram: é que faltavam tampas para o jogo ficar mais bonito. Tem uma outra modalidade que é interessante, são as maquetes. Numa exposição recente apresentaram o cenário ambiental. Tempos depois, choveu tanto que o local do próprio cenário sofreu com a inundação. Por estas e outras é que fica cada dia mais difícil a possibilidade de mudar. Podem criticar, dizer que não causa impacto, mas prefiro uma ação pé no chão, que cria uma rotina, uma constância daquilo que deve ser diferente. Poderia fazer uma maquete para compostagem de resíduos orgânicos domiciliares, fazer grandes campanhas nas escolas, dizer como deve ser. Tudo cairia no esquecimento em pouco tempo. Ainda acredito que é possível mudar, só não acredito que poderá continuar sendo na base do consumir. Em vez de usos para a garrafa pet, melhor seria trabalhar como consumir menos produtos que precisem destas. (20/12/2010)

Problemas de tecnologia ou falta de inteligência?

Você já deve ter participado de uma apresentação onde tudo está no computador e nada funciona. Pior ainda quando quem vai fazer a apresentação não consegue acessar a mesma e acaba atrapalhando-se todo. Aí, com a maior cara de pau a desculpa é que a tecnologia nem sempre funciona e sendo assim desculpa-se a péssima apresentação e tudo está bem.

Será? Já fiz muitas apresentações usando o recurso tecnológico e penso que ele é muito ruim porque todos ficam olhando e esquecem de refletir sobre o assunto. Tudo fixo a um quadro, tão ruim quanto a televisão que fica ligada porque tem que ter alguma coisa lá fazendo barulho.

Dar a desculpa de problemas tecnológicos é de uma falta de inteligência fantástica e mais ainda quando for de pessoas ligadas justamente a inovação tecnológica. Simplesmente porque elas pensam que uma tecnologia única resolverá o problema. Em qualquer lugar sempre existem ou deveriam existir situações de contingência. Se a apresentação precisa de computador e projetor porque levar somente um? É que as falhas são tão poucos que deixamos de lado esta preocupação de se não funcionar.

Por isso, é bom continuar pensando com inteligência, porque na hora do aperto, quem sugeriu que "não precisa" não vai estar lá para defendê-lo e se não for inteligente sempre poderá ter alguém observando e talvez até escreva sobre isso. (7/12/2010)

Sinais...

Se a nossa espécie é o ápice do projeto de existência da vida, então sentimos muito porque ela fazendo suas tentativas pode ter seguido por um desvio que em nada parece querer evoluir. As notícias que deixam que saibamos e outras que conseguimos sem autorização oficial dos detentores da informação são cada vez mais claras. "Manda quem pode e obedece quem precisa". O processo de evolução com as atuais estruturas que temos parece mesmo estar no limite, do contrário teríamos outras concepções, pensamentos e ações. Claro você poderá dizer: não seja pessimista, tem pessoas fazendo diferente. Será? Neste modelo mercantilizado, onde aqui escrevo e também custa, tudo está precificado e dependente do retorno. Existe uma relação custo versus benefício a ser acertada. Os que tem condições financeiras melhores quando começam a andar pelas ruas da bela história passada, com sua arquitetura, mostra da pujança da época, estátuas e outros, ficam perplexos vendo a situação atual com toda a sorte de distorções e tudo aquilo que é de mais baixo em nossa sociedade. Como não entendem o que está acontecendo, só conseguem ter aquele comportamento ancestral dos bandos de coletores/caçadores humanos. Aquilo que se parece conosco, mas é diferente, deve ser combatido e de preferência eliminado. Os piedosos dirão que isto é uma desgraça, onde já se viu. Uma pessoa não mata outra pessoa. Meus caros, não mata individualmente porque a sociedade reprime com duras penas e é a forma como podemos nos manter vivos em grupos maiores sem sermos parentes de bando. No entanto, um grupo pode matar outro que não tem problema. Preciso lembrar as guerras, as empresas que somem do mercado, os falidos de lojas em Shopping Center. Penso que não. Tudo o que vemos acontecer, só está acontecendo porque somos muitos e os predadores no topo da cadeia alimentar não podem ser muitos para a vida ser possível. Só nós tentamos fazer isso. Então, temos de um lado os rejeitados pela sociedade, que para existirem se organizam em bandos e aqueles que tem muito e por perceberem que no fundo também não existem fazem o mesmo. Resultado, dois bandos se encontram e entram em luta. No modelo atual da sociedade só existe uma diferença. Os bandos que tem família com dinheiro podem ainda manter-se no anonimato. Se saírem por aí novamente os outros não reconhecerão que são hostis. Todos os problemas que vemos pipocando aqui e ali são sinais de que precisamos evoluir, caso contrário poderemos estar fadados a desaparecer enquanto espécie. (16/11/2010)

Divulgação e leitura.

Cada vez entendo menos e fica mais claro que somos acostumados a escrever pilhas e pilhas de livros, revistas, jornais e outros e esquecemos da divulgação. Um triste realidade de um país que não tem leitores. Aí lembro de uma propaganda de biscoitos. Será que não lemos porque custa caro ou custa caro porque não lemos. Mas, um momento, não é só isso. Pode ser que não interessa ser lido e sim ser apenas uma amostra de como deveria ser e ficar reduzido a círculos muito pequenos. Penso que uma revista de interesse por todo o Brasil não pode estar somente como tiragem de cinquenta mil exemplares e nem disponibilizar uma versão eletrônica, sob forma de assinatura, da mesma. O MMA tem uma publicação Coleciona - Fichário do Educador Ambiental. Fica num repositório e recebo o aviso a cada novo número. Simples, fácil e eficiente. Com os recursos tecnológicos é possível ler e por um custo muito baixo. É uma questão de querer e de incentivar a leitura. Para isso é necessário divulgar. O mesmo se diz com relação aos artigos científicos e tantas outras produções. Lembro Maturana, todo conhecer é fazer e todo fazer é conhecer. Assim, quem lê divulga e quem divulga tem leitores. (7/10/2010)

Mensagem para Marina

A coerência do plano de governo está clara para este eleitor de Marina Silva. Único com propostas de valor, ligado às questões mais prementes da educação e do Meio Ambiente. Ainda não foi desta vez e as negociações políticas de segundo turno com certeza vão acontecer. No entanto, independentemente do processo interno de como será, espero que seja pautado pelo mesmo plano de governo e principalmente pelos compromissos com relação ao processo da campanha 2010. O valor da seriedade e respeito pelos compromissos assumidos é incalculável. (Mensagem postada nos comentários do blog em 4/10/2010)

Política e Partidos

Como seres humanos temos um relacionamento sofisticado por uma rede complexa de relacionamentos que podem ser estabelecidos, redirecionados, aglutinados e por aí seguindo de acordo com a evolução. A política, necessária para garantir o convívio humano é necessária. Assim como a vida social e cultural. Vivemos em aglomerados numa vila, num distrito, numa cidade, num estado, num país. E na medida em que se expande a representação perde-se o contato e a efetividade. Tudo isto para chegar nos partidos políticos. Hoje preocupados com votos para garantir sua sobrevivência e deixando na maioria dos casos de serem representantes legítimos dos anseios de seus representados. Podemos dizer que é uma minoria em detrimento de uma maioria. No entanto, esta maioria vem aos poucos manifestando seu descontentamento, quer pela opção de partidos que voltam a representar com ética e transparência seus eleitores quer pelo não comparecimento ou anulação de sua presença nas eleições. Esse processo chama atenção de quem está atento, mas não parece estar na agenda da maioria dos partidos. Ou será que como o objetivo é estar no poder não importa com que legitimidade frente a maioria isto pode ser desmerecido? Existe um ponto de inflexão que pode estar vislumbrando uma convivência politizada onde o partidarismo perde espaço até quem sabe um dia não ser mais necessário conforme a configuração atual. (4/10/2010)



Mudança.

Todo dia parece ser mais difícil encontrar uma via sustentável para continuar existindo e permitir que outros no futuros possam simplesmente existir. Neste período eleitoral tudo é prometido e todos são conclamados a participar de um processo tido como legítimo e aceito por todos. Se programas fossem levados a sério e executados depois teríamos como seguir em frente. Mas, semana que vem, após as eleições, teremos que como cidadãos comuns continuar nossa busca diária por alternativas quer sejam de sobrevivência ou mesmo de novos ideais. Com uma concentração de renda, deixando muitos a margem de tudo é difícil acreditar que possa haver mudanças de postura, uma ética comum ou mesmo um novo olhar para que nas mudanças possamos vislumbrar o dia de hoje e o de amanhã melhores para se viver. Um viver sem destruir, sem fazer uso do que é indevido, com respeito. Nós queremos continuar existindo, então porque teimamos em destruir o que garante a nossa existência? Até quando vamos ficar cegos e acreditar que simplesmente dá para crescer, crescer e crescer? O que é certo é a mudança e se não estivermos preparados dificilmente teremos alguma chance. Na escala geológica só temos uma pequena fatia de existência que se continuar como está poderá ser somente isso. Os cínicos dirão, teremos um fim mesmo, então o melhor que temos a fazer é aproveitar agora. Aproveitar o momento coloca em risco todo o após. Quando vamos aprender a nos orgulhar de pertencer a espécie humana e de termos contribuído para sua existência por milhões de anos? (28/9/2010)

Quando ter é o que importa.

A expressão recursos humanos sempre intrigou e revelava, ou melhor ainda revela, que o uso da expressão tem sempre projetada uma visão financeira das pessoas. Sendo um recurso não existem as preocupações inerentes a ética e conduta relacionada com humanos, seres da mesma espécie. Aliás, isso também remete a questão quanto aos recursos naturais. Deixa de existir uma ligação mais profunda e o que importa é ter, deter e usar o máximo possível enquanto for vantajoso.

Agora, li outra expressão que se já não bastasse vai mais a fundo e trata as pessoas como matéria-prima. Você é a nossa matéria prima, aqui transformaremos você num vencedor. Isso abre mais ainda o fosso das relações ditas humanas, civilizadas. O pior é que está em mídia de grande circulação entre os empresários. Agora ficou mais fácil contabilizar, tudo é matéria prima e se for vantajoso continuará sendo usada e descartada no devido momento. O importante é ter casa, carro, dinheiro, posses. Quanto mais, mais reconhecido por outros que acreditam que um dia deixarão de ser um mero objeto para também tornarem-se sujeitos com propriedade de outros objetos.

O ser tem passado ao longe. Se alguém pensa e busca a reflexão sobre aspectos mais profundos da existência isso não tem valor nenhum e quanto mais se procura o diálogo pior fica. A pergunta é a seguinte: em que mundo este cara vive. Não deve ser o nosso. Ele fala e não tem onde cair morto, vive porque alguém tem pena. Triste fim o de muitos que estão nessa situação.

Perde-se a capacidade de sustento e ao mesmo tempo observa-se o grande abismo que está se formando e do qual possivelmente a espécie se sobreviver com certeza terá que mudar consideravelmente sua postura e integração com o ambiente. Dias atrás o jornal dizia que os ambientalistas para serem aceitos deveriam deixar de ser catastróficos porque esse discurso ninguém suporta. Porém, também não dizia de que forma deveria ser. Nem teria como porque essa não é a preocupação dos meios de comunicação. Gostaria de ver o mesmo jornal dizendo que não se deve ter páginas e páginas sobre acidentes, crimes e outros porque isso também ninguém suporta mais. E lá estão eles denunciando esse ou aquele e pedindo por mais segurança, mais policiais.

Isso tudo porque quem tem e vê os outros como matéria-prima quer ter seu patrimônio protegido e que os outros busquem o mesmo. Enquanto o que importa é ter, sinto muito em dizer, mas nada irá mudar. Porque aquele que quiser ser o que se é sempre será descartado do sistema atual e conseguirá sobreviver por mero favor de outro. (27/09/2010)

Escrever é preciso.

Em 2009 tinha resolvido parar de escrever neste espaço por causa do tempo necessário para tal. Mas, continuei escrevendo todos os dias no caderno de reflexões pessoais. Ainda prefiro a caneta e caderno. No entanto, tendo em vista os muitos assuntos que vão aparecendo, resolvi voltar.

Hoje, é só para lembrar de que escrever é preciso para manter aquilo que nos é comum, a linguagem. Quando escrevo, digo algo e segundo Maturana tudo o que é dito é dito por alguém. Logo, quando escrevo manifesto parte da mim e também parte de tudo aquilo com que me relaciono. Isso deveria servir de incentivo na escola para que os alunos gostassem de escrever e vivenciassem com essa prática a evolução de nossa espécie.

O ato de escrever melhora a capacidade de pensar, de expressar, de dialogar com o que é diferente sem ser exposto num primeiro momento. Quando escrevemos podemos escrever uma ficção, algo totalmente imaginário, sem sentido ou outro que valha. Temos neste espaço das palavras, frases, orações e períodos a possibilidade de viver aquilo que somos sem sentir vergonha de na vida real não sermos nada disso. Muitas das grandes coisas que aconteceram não foram calculadas, pesquisadas com precisão, tinham a ver com o inusitado que em nossas dias pode ser passado adiante pela palavra.

Claro que a palavra tem grandes limitações, por ser linear. As artes nas suas mais diversas expressões artísticas são muito mais ricas e seus criadores pessoas dignas de serem conhecidas. Porque ora são irreverentes, ora tem a coragem de dizer sem ofender aquilo que nem se quer colocaríamos no papel.

Existe também o medo de colocar por escrito, porque quem escreve está assumindo o que escreveu. Aqui a intenção não é brigar com ninguém, nem fazer ofensas pessoais, porque isso não seria criação. Mas, deverá ser um momento em que dá para fazer o papel de bobo da corte e dizer que o rei está nu, ou que no mínimo vestiu a camisa do avesso. Hoje não adianta querer dar sermões, porque os opositores logo vão sair em defesa sem nem se quer saber qual o assunto.

Por exemplo, li tempos atrás uma citação de um ambientalista. Acho que foi Lutzemberg. Dizia: poluição é a coisa certa no lugar errado. Logo pensei, mas que sujeito biruta, desde quando poluição pode ser coisa certa. Aí fui refletir um pouco mais porque não encontrei o contexto onde a frase foi usada. Se estiver falando com o dono de uma empresa altamente poluidora, provavelmente com uma citação assim será possível começar a conversar sem ser chato. O problema todo vai ser encontrar o lugar certo para a poluição. O que já pode ser mais interessante para seguir no diálogo.

Então o escrever, quando bom, também tem a capacidade de ir aos poucos quebrando nosso modelo mental linear cartesiano, mesmo por linhas retas no ato de escrever. Dá para ir e vir e levar o leitor a lugares que ele não imaginaria se não lesse. Não esquecendo que quem escreve deixa que o outro invada o seu espaço definido pelas ideias transcritas. Isso também não é fácil. Principalmente se for no estilo ficção. Vamos imaginar que crio uma estória completa com personagens e alguém responde dizendo que não concorda com o que o personagem fez. Aliás, está cheio desse tipo de decidir o fim de um filme, novela. Ainda não vi de algum livro. Se eu for o autor, humildemente direi que o personagem é aquilo que é e que depois que escrevemos não somos mais donos, controladores ou outro sobre o escrito (acho que é Nietzsche e Mariotti). (19/09/2010)

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